5. Hollywood e anos 1000: Psicopatas

2009 Novembro 13
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

"No Country for Old Men": sobre bazucas e channelNo auge de sua petulância perante o mundo (anos 90, claro), os eua se especializaram em fazer filmes refinados sobre a supra-inteligência doentia de psicopatas e serial killers – moda deixada pelo sucesso de Hannibal e o medo/fascínio que a agente Clarice tinha por ele em O Silêncio dos Inocentes (1991).

Dali pra frente foi fácil fazer um legado que passou por Seven (1995) e foi até o sanguinário Jogos Mortais (2004). Mas este último botou tanto o dedo na ferida aberta em carne viva, além de resolver fica fazendo continuações depois, que o gênero deve ter se intimidado e perdeu o glamour que alcançou nos anos 90.

Em 2007, por fim, todos os psicopatas, se realmente existissem, teriam se sentido ridículos ao assistir Onde os Fracos Não Têm Vez – aquele dos irmãos Coen em que o bonitão do Javier Bardem (outra moda anos 2000: protagonista hispânico) usa um cabelinho channel bizarro e não precisa de inteligência nenhuma para ser tão psicopata quanto os outros e matar sem um pingo de culpa. Mesmo sendo igualmente inteligente.

A história de Onde os Fracos Não Têm Vez se passa no, digamos, ‘novo oeste’ (ou no Texas dos anos 80 pós-índios caras-vermelha) e mostra o jogo de gato-rato-e-chachorro entre o xerife local, Tommy Lee Jones, correndo atrás do Javier e o Javier correndo atrás de um caçador desengonçado que roubou uma maleta de milhões de dólares na qual não devia ter mexido.

Só que o Javier é tão preciso e inescrupuloso em atirar com sua bazuca que cansa a beleza do Tommy Lee – como se o Tommy Lee, do alto de seus 61 anos, tivesse sido ele próprio o policial-xerife-herói que se encarregou ao longo dos últimos 100 anos de cinema em perseguir e exterminar o bandido e visse agora que sua tarefa perdeu o sentido.  Ou nunca teve um. Ou o sentido é mesmo esse e é só ele que está velho. “Os crimes que você vê hoje são difíceis até de mensurar. Não é que eu tenha medo deles. Mas eu não quero sair apostando minhas fichas e encontrar algo que eu não entendo”, diz ele.

A violência acabou tão banalizada que os psicopatas nem mais escolhem a dedo sua vítima e a forma sem pistas de matá-la. Eles matam do frentista ao ascensorista que estiverem na frente. E matar ficou tão ridículo quanto um corte de cabelo channel na cabeça de um marmanjo.

Matar, nos anos 1000, ia desde a inteligência instigante do serial killer até o charme dos músculos do herói james-bondiano. Nos 2000, já existe ONU, Tratado de Direitos Humanos, G-20 e mil ferramentas de globalização para que todo o mundo possa olhar, julgar e reprovar.

A distância que diferencia os tiros do Stallone da bazuca do Javier Bardem é a mesma que, em 1941, não questionava o revide dos Estados Unidos ao ataque de Pearl Harbor e que, em 2003, apontou de pronto o dedo para a invasão no Iraque pós-ataques do 11 de setembro.

Não é a violência que mudou, Tommy Lee. Ela sempre foi a mesma. É que agora, nos 2000, já é feio achar ela bonita.

Em tempo. Onde os Fracos Não Têm Vez é mais uma da série de traduções infelizes de títulos de filme, em que não havia a menor necessidade de ser “fraco” em vez de “velho”, já que o título original é No Country For Old Men e resume toda a crise da troca de milênios numa frase que caberia num nick de msn.

 

 

E daí?:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia
3. Guerras

4. Heróis

4. Hollywood e anos 1000: Heróis

2009 Novembro 12
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

a queda do impérioOs grandes fodões que dão menos tiros, matam mais gente, salvam o mundo (que, no caso, é só os eua) e no final só ajeitam a camisa. Uma coisa totalmente anos 1000 que nos 2000 ficou brega que só.

Aquele modelo dramatúrgico na medida para Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis (que já eram uma versão urbanizada de predecessores bang-bang como Clint Eastwood e John Wayne) se misturou nos anos 90 com grandes épicos de batalhadores cuja força é menor que a de um Stalone, mas a ideologia é igualmente irredutível: espécies como o William Wallace/Mel Gibson de Coração Valente (olha o nome!), 1995.

Mas um ano antes já tinham inventado Forrest Gump, saga épica que acontece no próprio século 20 com uma versão inteligente do anti-herói cativante, e foi muito mais legal!

Por fim, o último herói cai junto com todo o império romano em 2000, com o protagonista forte mas  desiludido de Gladiador (2000).

O último grande filme pré-Bush é o fim, ao mesmo tempo, do herói inabalável (seja na força, seja na ideologia) e das grandes histórias que se passam em tempos distantes com todo mundo falando inglês, tipo Ben-Hur, Spartacus e Cleópatra (o que fica démodè de vez depois que o Mel Gibson faz todo mundo falar hebraico em A Paixão de Cristo, de 2005).

Dizer que o cinema de herói acabou ninguém vai acreditar, porque dos 2000 pra frente foi uma festa de Homem-Aranha, Hulk, X-Men. Mas, notório, todos estes são da família de sobre-humanos com poderes especiais – perdoados depois que a Disney fez Os Incríveis (2004), a história da segregação injusta dos super-heróis da sociedade.

Nos anos 2000 os heróis seguem firmes e com bilheteria. Mas eles são todos de mentirinha. É só o herói feito de homem comum, sem nenhum super-poder além da licença poética hollywoodiana, que acaba.

Amanhã: PSICOPATAS

Que mais?:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia
3. Guerras

3. Hollywood e anos 1000: Guerras

2009 Novembro 11
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

"O Jardineiro Fiel": guerra sem campo de batalhaHouve um tempo – e esse tempo não durou pouco, não – em que 2ª Guerra Mundial, Nazismo e Holocausto eram temas cativos, certos de sucesso-bilheteria-comoção e, com sorte, de Oscar!

Apenas entre os vencedores de Melhor Filme do careca de ouro citam-se dez nos 60 anos desde a guerra: Rosa da Esperança (1942), Casablanca (1943), Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), A Um Passo da Eternidade (1953), A Ponte do Rio Kwai (1957), A Noviça Rebelde (sim, até ele! 1965), Patton (1970), O Último Imperador (1987), A Lista de Schindler (1993) e O Paciente Inglês (1996).

Só para título de curiosidade-comparação, apenas um dos 80 contemplados até hoje foi sobre a guerra do Vietnã, O Franco Atirador (1978)

Daí, no cinema, O Paciente Inglês não só encerrou o tema na lista de vencedores do prêmio, há 13 longos anos, como foi também um dos últimos títulos sobre o assunto que tiveram a honra de entrar no tapado campo de visão dos velhinhos eleitores da Academia. Dois anos depois, ficou quase ridículo: dos cinco indicados à categoria premium, três eram sobre a guerra da década de 40: O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha e A Vida é Bela (com todo aquele final descarado do tanque estadounidense vindo salvar o menininho e a Europa). Dali pra frente, 2ª Guerra miou de vez.

A título de curiosidade também, ficou mais chato ainda quando se percebeu que os outros dois indicados daquele 1998, Elizabeth e Shakespeare Apaixonado (o mais despolitizado de todos e grande vencedor), eram sobre a Inglaterra quinhentista e mostravam o quanto os eua estavam indo longe demais em não se preocupar com sua atualidade (acabaram tomando aviãozada. bem feito.)

Pois depois da aviãozada, no famigerado 11/09, os eua acharam por uns minutinhos que ainda podiam usar desculpas esfarrapadas para invadir países (arma biológica escondida no Iraque? pra cima de nóis?!), invadiram, os planos não saíram muito como desejavam, a popularidade do país do pop virou piada e terminou com todo o mundo achando legal tacar sapato no presidente.

Com o início dos anos 2000, muito pouco mais saíram de Hollywood filmes sobre as guerras mundiais todas as duas (Guerra Mundial e briga de sistema político. Taí um conceito bem anos 1000). Claro. Fazer filme vangloriando ideologia de front ficou chato. Ninguém mais achava os eua bacanas por fazerem guerra, então melhor abafar o caso antes que comecem a chacotear o heroísmo pós-Segunda-Guerra também.

Não que o gênero, filmedeguerra, tenha acabado. Mas finalmente superou as batalhas da primeira metade do século e o euro-eua-centrismo. Citam-se: Falcão Negro em Perigo (2001), Hotel Ruanda (2004), Jardineiro Fiel (2005), Diamante de Sangue (2006) e Babel (2006).

Aponta-se: O primeiro se passa na Somália, o segundo em Ruanda, seguidos, na ordem, por Quênia, Serra Leoa e Marrocos. E, claro, muitos nem sabem que são gênero de guerra. Mas, na África, “guerra” é um conceito que vai além de sangue, lutinha e troca de tiro entre dois times de soldados num campo aberto como tipos de batalhas que levam à morte.

Aos poucos, o hemisfério sul começa a ser descoberto. (E as Olimpíadas de 2016 que o digam)

 Por que???:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia

2. Hollywood e anos 1000: Fantasia

2009 Novembro 9
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

O incrível mundo de FaunoDepois (muito depois!) de clássicos como Mágico de Oz (1939) e História sem fim (1984), os filmes de fantasia (filmes mesmo, desenho não vale) resolveram ser moda nos primórdios dos anos 2000. Alguém achou que era legal transformar saga literária em 20 horas de película e saiu fazendo as franquias de Harry Potter (1997 -  ad eternum) e Senhor dos Anéis (2001 – 2003). Estas, por sua vez, levaram a outras que já não deram muito certo, como As Crônicas de Nárnia (série que estreou em 2005, teve o segundo filme exibido só nos cinemas dos eua e o terceiro abandonado pela Disney, estúdio responsável).É que aí, no meio, veio O Labirinto de Fauno (2006), do mexicano Guilhermo del Toro (filme de mexicano cair no main stream já é uma coisa bem 2000’s), que mostrava uma menininha explorando um mundo fantástico sombrio que, no fim, era só sombrio mesmo. Então quem assistiu viu que não colava mais essa coisa de sonhos e sagas em mundo de elfos e a febre do gênero voltou à temperatura normal.

Hoje, qualquer um minimamente cinéfilo está aguardando o Alice no País das Maravilhas do Tim Burton (dono de um mundo fantástico inteiro só dele). Mas – todos conhecemos a história – notem que Alice, diferente dos temas de honra, irmandade ou sabedoria em um mundo fictício mas pretenso a real, questiona a falta de sentido em si, seja a dimensão em que se passa fantástica ou comum.

O único que curiosamente chegou mais perto dessa abordagem menos medieval e mais pós-freudiana foi, acreditem, O Mágico de Oz, lá em 39. Mas, atentem: os livros que deram origem a cada um são, respectivamente, de 1865 e 1900.

Como?:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações

1. Hollywood e anos 1000: Animações

2009 Novembro 9
por Juliana Elias

Novas gerações de animaçaoEm 1939 a Disney faz A Branca de Neve e inaugura o gênero em longa-metragem, passam 60 anos, surgem a Dreamworks e a Pixar, acabam com o monopólio do primeiro estúdio, os desenhos se libertam dos contos de fada, começam a ter roteiros originais, Shrek zoa o barraco em 2001 e nunca mais se faz história do tipo Meg Ryan pra criança (veja mais em “Infância, Walt Disney e velhice“)

Ãhn?!:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000

Hollywood e o fim dos anos 1000

2009 Novembro 9
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

Os anos 2000 mal completaram sua primeira década e já esboçam as primeiras rupturas sócio-políticas e culturais que deverão ser estudadas mais tarde, como hoje o são as grandes navegações, o império turco otomano ou a Odisseia. São estes os elementos que diferenciam os anos 2000 de seus predecessores, os anos 1000.

Com uma lupa, é possível detectar a (re)virada de milênio por meio do cinema, e na forma como as temáticas e estéticas são abordadas na sétima arte (só sete artes é uma coisa tão anos 1000!).

No mais das vezes, trata-se de novas linguagens que são descobertas, usadas excessivamente na sequência até que uma produção use os recursos demais ou os ridicularize de vez, exaurindo assim o modelo em questão e servindo de estopim a outras linguagens.

Os gêneros foram dividos em posts e dias. Acompanhe a palpitante série ao longo da semana.

Veja a programação:

Segunda: Animações
Terça: Fantasia
Quarta: Guerras
Quinta: Heróis
Sexta: Psicopatas
Sábado: Efeitos x Roteiro

Anos 1000

2009 Novembro 9
por Juliana Elias

Com Carlos Valim

Período de tempo compreendido entre os anos 1001 e 2000 e que abrange o conjunto de costumes e regras equivalente ao intervalo.

Entre as características do milênio em questão estão o ocidentalcentrismo (ou o lado esquerdo-norte do mundo achar que as coisas só acontecem lá), a Igreja Católica (que, do contrário do que se ensina, não acabou com um desenho de Leonardo da Vinci), comunicação subdesenvolvida (ou aquela cujos meios não agregam, ao mesmo tempo, mobilidade e prontidão), sistemas políticos de força ou exclusão e outros fatores rompidos ou em processo de rompimento a partir dos anos 2000.

Exemplos:
“Ditadura é uma coisa tão anos 1000″
“Casar virgem é uma coisa tão anos 1000″
“Telefone é uma coisa tão anos 1000″

ou

“China é uma coisa tão anos 2000″
“Olimpíadas na América do Sul é total anos 2000!”
“A indústria fonográfica está com os dias contados nos anos 2000″

O amor.

2009 Novembro 2
por Juliana Elias

conhecimento proibidoO grande segredo da humanidade, guardado há séculos a perder de vista, missão secreta de origem dos Templários, de preconização da Opus Dei, dos nazistas e dos macarthistas, não é o lugar onde perderam o cálice sagrado, nem o filho de Jesus e a Madalena, tão pouco a virgindade da Maria (maior papinho da historia).

O grande segredo milenar, escondido geração após geração pelos donos do poder, é que, há mais de 2 mil anos, já foi descoberto e comprovado o sentido do amor.

O estudo foi dissecado por um médico do século 6 a.C., dono de compêndios muito mais sagazes que os de Hipócrates, teorias lógicas muito mais irrefutáveis que as de Sócrates, escritas todas em versos muito mais belos que os de Homero. O grande cientista, no entanto, apesar de ter gozado de nobre fama tanto em vida como nos séculos seguintes, inspirando conterrâneos como Platão, Arquimedes e Sófocles, foi condenado ao anonimato quando teve sua obra tomada pelos romanos, por volta dos anos 1 e 2, e escondida nos recônditos do império, enquanto, em paralelo, os romanos desistiam de perseguir cristãos para perseguirem judeus e dar início ao primeiro, mais lôngevo e mais bem sucedido case de marketing da história: a Igreja Católica.

Com isso, obras e obras, livros, quadros, estudos, foram arrancados do repertório mundial, com desculpinhas esfarradapas como o incêndio de Alexandria e outras balelas. Entre elas, peças inéditas de Aristófones e Eurípedes, outras duas séries épicas de Homero (ou vocês acham mesmo que ele só escreveu dois livros?), capítulos cruciais de “O Mito da Caverna” e “O Banquete”, o tratado de Aristóteles sobre a comédia e o riso, o terceiro testamento completo da Bíblia e os capítulos sobre a Madalena e a trepada da Maria com o José.

Todos eles foram queimados, exceto um: o Tratado do Sentido do Amor do médico grego hoje anônimo do século 6 a.C. – afinal, todo bom manipulador de informações sabe que a melhor coisa a se fazer com uma informação que é boa o suficiente a ponto de ter que ser extinguida é guarda-la consigo, e não extingui-la de fato.

Então a Igreja jogou um dinheirão nas Cruzadas, inventou esse papo de Cálice Sagrado, contratou os povos bárbaros para invadirem a Europa, deixou os ibéricos descobrirem o continente americano (que ela já sabia que estava lá desde  o início do milênio) e quantos mais recursos tivesse para desafiar, distrair e queimar a população, chamando e desviando sua atenção conforme a necessidade.

Os estudos mais recentes – tocados hoje em segredo por um braço dissidente e absolutamente seletivo da Opus Dei – indicam que, após rodarem os cinco continentes nos últimos dois milênios e meio, as cópias únicas do  Tratado do Sentido do Amor estariam guardadas embaixo do colchão do papa Bento XVI.

A teoria secreta
O documento grego seria de ordem científica e explicaria em pouco mais de três páginas a origem dos humores (mais tarde descobertos como hormônios e substâncias químicas produzidas pelo organismo) que impelem a espécie a amar, desamar e não amar outrem.

O estudo detecta duas naturezas do amor, ambas com o fim único de preconização da espécie: o primeiro é o da procriação, e o segundo da proteção.

PROCRIAÇÃO: Há diversas formas desenvolvidas na natureza que levam o ser humano a procurar um semelhante do sexo oposto com fins libidinosos, divididas entre as corporais e as não-corporais. Entre as corporais estão instinto, ferormônios, suscetibilidade a arrepios na nuca e outros. Entre as não-corporais estão os sentimentos, tais quais o afeto, a paixão, mesmo o ódio e, por fim, o amor – este nem mais nem menos banal ou importante que os anteriores. E os anteriores todos igualmente nivelados, sejam sentimento, ferormônios ou arrepios. O amor é tão rudimentar quanto um cheiro de pele, e, como este, existe basicamente para complementar o interesse de uma pessoa pela outra, podendo, como tal, ser substituído, ser finito, ser ou não ser.

PROTEÇÃO: Há o amor que (pro)cria, e o amor que protege. Esta categoria refere-se ao segundo. Uma vez já concebido e existido, o indíviduo está suscetível às intempéries do mundo, que podem prejudicar e mesmo extinguir sua vida. Estas vão desde a fragilidade física e a falta de acesso a elementos básicos de sobrevivência (alimento, abrigo, saúde) até defasagens de natureza não-corporal, tais quais tristeza, desânimo e desilusão. É para estes fins que existe o amor de proteção, gerido em pessoas próximas ao indivíduo por laços de sangue, de convicência ou mesmo de procriação. É este amor que faz uma pessoa sentir falta da outra, e, por esta via, ter a necessidade de zelar pela longevidade de sua existência. Ou o que mais faria um indivíduo saudável e feliz e, portanto, darwinianamente perfeito, interromper sua trajetória para se voltar a um indivíduo fraco e miserável, pré-condenado pela seleção natural, se não pelo instinto coletivo de sobrevivência das espécies?

As sete chaves
Cientes do poder do sentimento-amor de fortalecer, enfraquecer e, assim, distrair a população, as instituições medievais logo perceberam que revelar que tão forte substância não passava de uma combustão química com começo, meio e fim, lhes tirava um grande aliado.

Esconderam da humaninade que o amor era uma coisa simples, deixando em troca a tarefa eterna de questionar-lhe sem nunca descobrir-lhe o por que. Uma vez inexplicável, fizeram por crer que o amor fosse quase tão divino quanto o deus em si, o que, como tal, remasceu capaz de dar e tirar a felicidade. 

Se assim tão instável não fosse, jamais teriam tido tantos fiéis.

 

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Goodbye, so long, farewell

2009 Outubro 16
por Juliana Elias

Falar ‘tchau’ em inglês é meio brega.

- Bye: Tchau

- Goodbye: Bom tchau

- So long: Tão longo

- Farewell: Tarifa boa (‘fare’ em inglês é tarifa!)

E não tem uma palavra pra diferenciar o ‘tchau’ do ‘adeus’.
E, se não tem ‘adeus’, explica por que também não tem ’saudade’.

You say goodbye, and I say hello

2009 Outubro 16
por Juliana Elias

Aliás. Os anglo-saxões esqueceram também de uma palavra que diferencie “namoro” de “encontro”. Independente de ser a pessoa que você ama ou um simples encontro casual, you are always ‘dating’ someone.

Se não tem ‘namoro’, e não tem ‘adeus’, não tinha mesmo por que ter ’saudade’.